segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

18 de junho de 2005 - O Monstro que feio das profundesas do oceano

Eu sou o monstro que veio das profundesas do oceano.
Não tenho pipi, mas não gosto de ficar falando de homem o dia inteiro, e nem de novelas.
Deve ser porque eu sou o monstro que veio das profundesas do oceano.
Quando me criaram, esqueceram de colocar o cérebro. Mas eu continuo tentando encher a cachola de informação, e tirar coisas lá de dentro. Aí elas não prestam.
Deve ser porque eu sou o monstro que veio das profundesas do oceano.
Eu queria ser bonita, queria se magra. Mas agarro e como todo o doce que aparece na frente.
Deve ser porque eu sou o monstro que veio das profundesas do oceano.
Eu vivo refletindo, o dia todo. Quanto mais eu tento pensar, mais chego à conclusão de que nada tem solução. E mais quero achar soluções pras coisas.
Deve ser porque eu sou o bendito monstro que veio das profundesas do oceano.
Eu reclamo das coisas, mas não as mudo.
Deve ser porque eu sou uma droga de monstro que veio das profundesas do oceano.
Eu amo, e peço carinho. Mas esqueço de me amar e me tratar com carinho.
Deve ser porque, droga, vim das profundesas do oceano e sou um monstro.
Eu vivo tentando ser uma pessoa consciente das coisas, e procurar informações antes de tomar as decisões. Mas sou impulsiva e julgo as coisas antes de conhecer. Não procuro o suficiente, e acabo ficando tão desinformada que esqueço que o mar tem buracos escuros com tubarões perigosos. Esqueço também que reclamar e soltar bolhas não vai fazer a maré ficar mais alta.
Um horror. Provavelmente deve ser por isso que eu nasci nas profundesas do oceano, e virei um monstro.

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