quinta-feira, 5 de junho de 2008

Para ver com o olhar.

Hááá não tô tão ruim! Segunda postagem da semana!

Mas essa num vai ser convencional, também. Tá, eu não tenho convenções pra esse blog, nem nada do tipo. É que eu vim narrar, contar de coisas que aconteceram.

Por exemplo. Essa noite fui dormir bem tarde, mesmo não tendo dormido na noite anterior. Só que comecei a pensar. Não fiz aquelas coisas que as pessoas indicam pra que você tenha um sono tranquilo, como beber chazinho, ler algo pra esvaziar a mente, ver televisão, beliscar a bunda do mosquito (eu inventei esse, relaxa), sei lá. Peguei e deitei.

Comecei a pensar, né?

E tive um surto criativo. Pensei em um texto e não tive como deixar de levantar para registrá-lo. Ficou ridículo, eu sei, apesar de não ter relido ainda. Mas só a idéia já é absurda, quer ver? Fiz a comparação de meu coração com um apartamento, onde as pessoas que entravam lá iam se instalando em cômodos diferentes.

Pode até ser curioso, tal, mas é ridículo. E pode ser uma comprovação de alguma anomia da minha personalidade criativa.

Tá no caderninho do Puff, que, por sinal, acabou.

Mas foi só pra deixar registrado. Quem sabe eu qualquer dia não pegue, dê uma ajeitadinha e publique.

Bom, essa foi a primeira narração. Lá vai a segunda.

Tô fazendo, como sabem algumas pessoas, um ensaio fotográfico sobre Infância. Meu grupo está. Tinhamos várias ideias legais, mas com tanta preocupação com o tablóide, acabamos deixando meio que pra em cima da hora. Brasileiríssimas. Eu havia até mesmo me comprometido a tirar uma foto de uma criança fazendo as unhas, pra exemplificar crianças que não gostam muito da infância, ou que abandonam algumas de suas vantagens antes da hora. Iria tirar foto da própria filha da manicure fazendo as mãozinhas.

Bom, o celular da moça resolveu não funfar, e estou sem contato com ela.

Apesar de já ter conseguido umas fotos de primos, não poderia deixar de colaborar pessoal e manoalmente com o grupo, certo?

Aíí lá fui eu hoje a uma escola municipal de São Vicente com a minha mãe. Tirei foto de várias crianças.

Certo, num tem nada de muito memorável nisso pra merecer um post, né?

Não.

Porque eu não tenho contato com crianças todos os dias, e havia me esquecido do quanto o olhar delas pode transformar o estado de uma alma.

A cada sala de aula que eu entrava, os olhinhos brilhavam e os lábios abriam sorrisos. Uma das menininhas até falou "Tu é bonita, moça!", e eu só dava risada. Pedia que eles não olhassem pra mim. Elogiava uma, outra, tirava fotos em vários ângulos.

Mas não foi ouvir que eu sou bonita que me alegrou tanto. Foi ver tanto infinito e tanta felicidade simples nos olhos de quem, ao julgar de muita gente, não teria motivos para ser tão marry assim.

São todas muito, muito carentes afetivamente.

Mas são crianças.

E a vida, quando começa, é um mundo imenso de possibilidades e novidades. É mais bela.

Eu vivo dizendo que tudo o que devemos procurar é aprender e amadurecer sem ter a capacidade de enxergar beleza nas coisas pequenininhas, ou na complexidade das coisas.

Não se pode tomar caminho em uma vida em que os olhos não brilhem, pelo menos às vezes, como os das criancinhas.

Ai, quanto drama. Parece até religião.

Mas não é.

Eu não estou tentando chegar em lugar nenhum, ou provar nenhuma tese.

Só queria, de alguma forma, expressar o quanto foi especial participar daquilo hoje.

E que fique, mesmo elas nunca tendo acesso a esse texto, um beijo enorme no coração e no sonho de cada uma daquelas que me sorriu ou correspondeu aos meus sinceros sorrisos. Quer dizer, eu gosto de ser sorridente, simpática, essas coisas. Vivo sorrindo pra muita gente que não me corresponde.

Jamais, em nenhum momento de minha existência, sorri para uma criança que não me correspondeu.

E é por isso que eu opto pelas pessoas que sabem ser bobas, sorrir e rir dos detalhes da vida.

E admiro as que criam, inventam e descobrem mais e mais motivos pra fazer isso.

É, e tem gente que não entende por que eu queria tatoar uma fadinha nas costas.

À beleza, à imaginação e à habilidade de ver magia onde se sabe que ela não existe...

...mais um texto que ninguém vai ler.

Um comentário:

Marina Guimarães disse...

Faltou ressaltar a beleza que é a existência das possibilidades infinitas.

E como eu busco não deixar meus olhos se fecharem para elas.