Vamos todos encarar a verdade: padrão estético existe, persiste, e estamos todos ligados a ele.
Okay, a maioria das pessoas pensantes que eu conheço já desistiu de dizer que "na realidade pra mim beleza não importa", ou que "os padrões de beleza hollywoodianos não me afetam/são diferentes dos meus".
Achar ou não achar belo depende de muitas coisas. Principalmente do que você está habituado a achar belo.
Maas, como afirmei com veemência em uma discussão alegre e saudável do fim de semana, encontrar beleza não é sentir atração física.
Agora, eu não sei porque escrevi tudo isso. Vai ver eu tô com vontade de conversar.
Na realidade eu havia tido a idéia de escrever sobre o meu grande vício: doce. Açúcar. Sacarose. Gordura vegetal, farinha, cacau, maizena, leite condensado, creme de leite, queijo, frutose, azeite.
Eu num sou uma gordinha glutã, porque também sempre fui meio noiada com a minha aparência.
E muito desleixada também.
Aí eu criei uma comparação do meu vício com o de fumantes e alcoólatras.
Eu sei que soa dramático, mas não é. É ridículo. Dramático e ridículo são dois adjetivos bem diferentes.
A questão é a seguinte: todo fumante sabe que fumar faz mal pra saúde. Por isso, muitos dos que começam a fumar não tem a mínima intenção de se prender a isso, ou tornar o tabaco parte de seu cotidiano.
Aí tem os que simplesmente fumam, sem dar explicação pra isso. Tem os que entram em brigas com eles mesmos cada vez que se aproximam de uma bituquinha. E tem os que promeeeetem que vai ser só um cigarrinho por dia, ou só no sábado à noite pra acompanhar a cerveja.
Bom. Vou contar uma história pequena e breve sobre os meus hábitos alimentares. O texto já tá chato mesmo, pouca gente ou ninguém vai ler... Egoísmo por egocentrismo, letra à toa e frase produzida á toa por porcaria nenhuma, lá vai.
Marina bebê pequeno-> comia o que quer que colocassem na mamadeira, desde brócoli até sopa de tomate.
Marina bebê grande -> comia o que a mãe insistisse. Até que começa a fazer cara feia e cuspir algumas coisas (por enquanto o molho de tomate não fazia parte desta lista). Mamãe tentou insistir, mas o papai dizia "Não force a coitadinha. Dá pra ela aquela outra coisa que ela gosta.
Marina criança pequena -> comia poucas e seletas coisas, como arrozinho com bifinho, pêra, bolachas. Se fosse passatempo, só sem recheio. Salgadinho...alguns. Em festa infantil, às vezes uma ou outra coxinha, depois de muito custo, e o brigadeiro - do qual ela às vezes queixava-se de ter gosto de "brigadeiro de padaria". Parar de brincar pra comer era realmente uma tortura. Sorvete? De massa, só flocos e creme. Às vezes chocolte. Bolo? Só se fosse só chocolte, de preferência o da mamãe e o da Vovó Tita (bisavó). Picolé? De Uva. Da kibon, se der, por favor. Saladinha de pepino (só japonês), cenoura, depois de muito custo um alface americano, rabanete. Peixe só se fosse um linguadinho, sem espinhos. Feijão? Depois de alguns anos, com muito, muito custo. Miojo não. Macarrão a álho e óleo só se a Marina não fosse obrigada a sentir os pedacinhos de alho, então a mamãe o cozinhava com eles bem grandes. Verdinhos na comida eram sempre marginalizados ao redor do prato. Carne e frango eram bem-vindos. Pães, em geral, também, assim como o croquete de carne do vienna.
Marina criança grande -> Vieram alguns progressos com a mudança para a Praia e a convivência com primos comilões. As bolachas e sorvetes diversificaram-se bastante, assim como bolos. Comer fora de casa estava ficando mais fácil, e até o macarrão com molho branco, pedaços de alho pequenininhos e bastante coisa verde entrava. Miojo começa a ser aceito. Outras variações de salada também. Tortas. Doces começam a ser universais, aos poucos. O lanche do MC Donalds já pode ter queijo (até aqui era um pão-e-carne que sempre acabava pela metade), o requeijão substitui a margarina e a manteiga. Experimentar e gostar é algo bastante possível e tocável.
E surge o prazer em comer. Comer com os amigos, comer doce, fazer brigadeiro, fazer milk shake de chicabon, enxer a boca de sorvete na praia.
Passa ela de criança esquelética pra pré-adolescente barrigudinha, e pra adolescente gordinha.
Enfim, os 50kg. O vício por chocolate e bobeiras doces em geral.
Entre os 17 e os 18 anos, Marina vira uma bolinha por conta do bendito do anticoncepcional que começara a tomar com uns 16 anos graças á maravilha do ovário policístico. Foi trocando, trocando, até se adaptar com o atual (apesar de ter achado que ele tá deixando ela meio estressadinha). Ela comia chocolate várias vezes ao dia, dividia pacotes de salgadinho-isopor com os amigos e não tava pouco se lixando do quanto ou o que estava comendo.
Só que um dia foi comprar shorts e teve que pedir pelo manequim 40.
Total decepção. 55kg foi o auge. Porto Seguro Bahia.
Com uns 18 anos, Marina se estressa com o próprio peso, e resolve controlá-lo de verdade. Come de quatro em quatro horas no máximo, só coisa light. Como no fim de semana poucas vezes ia comer fora da casa de alguém, também não comia muito doce. Pizza, semrpe no máximo dois pedaços, sem sobremesa. Em casa, no almoço, se comesse bife não comia arroz. Na janta salada e/ou frutas. Frutas entre as refeições.
Chegou aos 45kg, ficou bem feliz.
Com 18 anos, Marina passa por enormes problemas emocionais que envolviam desde a relação com os pais, com o namorado, consigo mesma, a escolha da faculdade, emprego novo 1, 2, 3.
Quase todo mundo já ouviu essa história, se quiser ouvir de novo pede. Mas ela não é o foco aqui.
Eis que, em meados de maio e junho, Marina está com 43Kg. Pele e osso. Feliz da vida.
Não comia chocolate há meses, nem batata-frita. Se orgulhava disso pra todo mundo.
Só desleixou quando viajou pra Joinville. E às vezes comia doces no fim de semana.
É como aquelas pessoas que conseguem ficar dois meses sem fumar, sabe?
Simplesmente tornou comer uma obrigação, não um prazer. Ainda não tinha chego naquela fase da vida em que 95% dos programas sociais envolvem comida. Os que envolviam bar ela ia alimentada, e não comia a batata. Nunca comia batatinha.
Em festinhas, comia só um pedaço de bolo, ou salgadinhos assados.
É que nem o cigarro. Simplesmente largou.
Quanto àquela viagem de Joinville lá em cima, ela voltou mais volúvel. E depois, mais à frente daquele ano, começou a ter aquela vida social de lanchonete, esfiha, pizza, e tchanz. Isso se intensificou bastante.
Começou a voltar a comer doces, mas só no fim de semana. Mas aí era muito doce MESMO.
Em breve estava com 45kg de novo, e logo com 47kg. Todos diziam que ela estava bem melhor, saudável, com aparência de pessoa feliz ao invés de doentia (havia perdido curvas e tinha ossos salientes quando estava com 43kg).
Bom. Em 2008 houveram muitos feriados.
E a Marina foi pra Espanha, paraíso do chocolate como qualquer país da Europa. E dos pães. E outras coisas maravilhosas.
Ela voltou, e não conseguiu resistir aos doces.
Está com 49kg e não feliz.
Quer parar de comer doce, e já viu que não é difícil...
...Quando está em aulas e tem horarios definidos pra comer, e não vê pessoas com as quais ela sai pra conversar.
O resumo disso tudo:
Marina come socialmente.
Marina come socialmente, muitas vezes, pra se obrigar a calar a boca e deixar as pessoas falarem.
Agora. Diz se é ou não é comparável comer porcarias com alto teor de colesterol e gordura socialmente com fumar socialmente?
Só mais uma coisinha. Marina hoje é capaz de experiemntar qualquer doce, desde que ele não tenha coco ralado ou se relacione com prestígio.
Ela também experimenta quase qualquer salgado, desde que não se relacione com beringela, bacalhau, grandes quantidades de cebola que predominam sobre o gosto da comida, ou molho de tomate que seja a atração principal da comida.
Na verdade é mais do que isso, o que me permite entrar no mundo dos enjoados pra comer.
Sem louvor nenhum. Porque isso não é mérito pra niguém.
Nem comer socialmente.
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